Boatos de saúde na Net
Não acredite em tudo o que lê! Especialmente quando se trata de mensagens
alarmistas sobre assuntos de saúde que invadem a sua caixa de correio electrónico.
O alerta é da revista TESTE SAÚDE, que, na sua edição
de Outubro, desmistifica alguns desses e-mails e ajuda a separar o trigo do joio.
A origem dos "hoax"
Quem tem uma caixa de correio electrónico, provavelmente já recebeu
mensagens que alegam que os desodorizantes causam cancro da mama, que o uso
de tampões está associado ao cancro do útero ou que alguns
champôs têm uma substância cancerígena.
Este tipo de mensagens, também conhecidas pela designação
inglesa "hoax", utilizam frequentemente uma linguagem pseudocientífica,
sem fundamentação credível e cheia de imprecisões.
A motivação por trás destes fenómenos em cadeia
não será, muitas vezes, despida de interesses. Por vezes, visa
formar bases de dados de endereços electrónicos. Também
podem esconder interesses comerciais. Outras vezes, são despoletadas
por sentimentos de solidariedade ingénua (apelos para dar sangue a uma
criança com leucemia). Ou trata-se apenas de uma brincadeira de gosto
duvidoso.
Muitos destes rumores têm origem nos Estados Unidos e dão a volta
ao Planeta, e há sempre alguém (de boa fé ou por malícia)
que se dá ao trabalho de os traduzir, por vezes, com algumas adaptações
à realidade do país. Veja-se o caso da mensagem dos champôs
com substâncias cancerígenas. Nalguns países, vem assinada
por um elemento da Universidade da Pensilvânia e, em Portugal, a tradução
da mensagem inclui uma adaptação da autora, que passou a ter um
nome português! E, muitas vezes, estes boatos usam abusivamente nomes
e títulos profissionais para dar uma imagem de credibilidade. Por vezes,
são pessoas que existem mesmo, como apurou a TESTE SAÚDE, no caso
do alerta sobre desodorizantes que causam cancro da mama. Após o contacto
com a suposta investigadora de uma universidade do Uruguai, esta respondeu que
nada tem a ver com a mensagem e as alegações, sem fundamento,
feitas em seu nome.
Saber caçar um boato
"Passe esta informação para o maior número possível de pessoas", "Por favor, fale sobre isto com outras mulheres", "Precisamos de solidariedade e de fazer este mail correr rapidamente". Perante frases deste tipo, desconfie
Estas mensagens referem, muitas vezes, que se trata de "informação séria" ou que "esta história é verídica". Adoptam um tom algo histérico, estão repletas de pontos de exclamação, maiúsculas e erros de ortografia. Quando utilizam linguagem pseudocientífica, chegando mesmo a citar investigações, não se deixe impressionar. Salvo raras excepções, as informações estão incorrectas e cheias de imprecisões, já para não dizer manipuladas por quem as envia! Além disso, uma investigação isolada não permite provar coisa alguma.
Muitas vezes, não é referido o autor nem a data da mensagem. Desta forma, o leitor não consegue perceber se é uma mensagem recente ou não. Outras vezes, os e-mails vêm abusivamente assinados por pessoas ou instituições científicas credíveis, quando, na verdade, estas nada têm a ver com a mensagem que circula.
Se, apesar de tudo, lhe passa pela cabeça que uma mensagem até pode ser verdadeira, tente verificar a veracidade dos factos. Pode, por exemplo, consultar um sítio especializado na Net, para verificar se essa mensagem já foi denunciada como sendo um boato.
TESTE SAÚDE aconselha
Perante boatos alarmistas de saúde, quebre a cadeia de "desinformação". Se conhecer a pessoa que lho enviou, explique-lhe do que se trata e não reencaminhe a mensagem. E se tiver dúvidas em relação à veracidade dos factos, pode fazer uma pesquisa num motor de busca estrangeiro. Quase sempre, antes de circular no nosso país, estes rumores já passaram por outros pontos do Planeta e já foram identificados como boatos sem qualquer fundamento.

